Senadores dos EUA se opõem a tarifas comerciais contra o Brasil
Um grupo de 11 senadores dos Estados Unidos, todos do Partido Democrata, enviou uma carta ao presidente Donald Trump pedindo o fim das tarifas comerciais sobre produtos brasileiros. Essa iniciativa foi liderada por Jeanne Shaheen e Tim Kaine, que fazem parte da Comissão de Relações Exteriores do Senado.
Os senadores expressaram preocupações sobre um possível “abuso de poder” na forma de uma guerra comercial contra o Brasil, afirmando que questões comerciais legítimas devem ser discutidas e negociadas, e que as tarifas do governo não buscam esse diálogo.
As tarifas previstas pelo governo Trump incluem uma taxa de 50% sobre todas as exportações brasileiras aos EUA, com implementação programada para 1º de agosto. Os senadores alertaram que essas tarifas aumentarão os custos para famílias e empresas americanas, ressaltando que o comércios EUA-Brasil sustenta cerca de 130 mil empregos nos Estados Unidos.
A carta também mencionou a crescente influência da China na América Latina como um fator decisivo, alertando que uma guerra comercial pode impulsionar o Brasil a buscar alianças mais próximas com a China, que já investe substancialmente na região. Os senadores enfatizaram a importância de manter relações econômicas saudáveis com o Brasil, especialmente em um contexto de concorrência com a presença chinesa.
Críticas à Interferência do Governo dos EUA
Outro ponto abordado na carta foi a crítica à intervenção do governo dos EUA em relação ao sistema judicial brasileiro, particularmente no que diz respeito ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Os senadores condenaram essa interferência, afirmando que tal ação pode estabelecer precedentes perigosos e provocar uma guerra comercial desnecessária, além de colocar empresas e cidadãos americanos em risco.
A carta sublinha que Bolsonaro está enfrentando processos judiciais em sua terra natal, e interferir nesse processo é visto como um uso indevido do poder econômico americano em nome de interesses pessoais.
Os senadores também criticaram as sanções impostas a autoridades do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, apontando que essas ações priorizam os interesses pessoais do governo em detrimento das relações norte-americanas e das preocupações econômicas dos cidadãos americanos. Eles apelaram por uma revisão dessas ações, reiterando que os objetivos devem ser fortalecer laços econômicos e promover eleições democráticas na região.
Além de Kaine e Shaheen, outros senadores assinaram a carta, incluindo Adam Schiff, Dick Durbin e Kirsten Gillibrand, mostrando uma frente unida de oposição às políticas tarifárias de Trump.