Brasil na OMC: Crítica às Medidas Comerciais Unilaterais
Representando o governo brasileiro na OMC, o embaixador Philip Fox-Drummond Gough destacou o uso de tarifas como uma forma de interferência nos assuntos internos de países. Durante a reunião em Genebra, enfatizou a necessidade de respeitar o sistema multilateral de comércio baseado em regras.
Gough afirmou que estamos vendo um ataque sem precedentes à credibilidade da OMC, onde tarifas arbitrárias podem interromper as cadeias de valor globais e causar uma espiral de preços altos e estagnação.
O embaixador também mencionou o anúncio recente do presidente dos EUA, Donald Trump, que vai aumentar tarifas sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, associando a medida a alegações de desvantagens comerciais e às investigações sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Violação dos Princípios da OMC
De acordo com Gough, tais medidas unilaterais constituem uma violação flagrante dos princípios fundamentais da OMC, comprometendo a previsibilidade e a coerência do comércio internacional.
Ele expressou preocupação com a direção perigosa em que se dirige o uso de tarifas, argumentando que isso mina a estabilidade das relações comerciais.
Defesa do Comércio Multilateral
O Brasil reiterou sua posição em favor de uma reforma estrutural do sistema multilateral de comércio, visando restaurar o papel vital da OMC.
Gough afirmou que o país continuará buscando soluções através da diplomacia e do comércio, e que, se necessário, utilizará todos os meios legais à disposição, incluindo mecanismos da OMC.
União das Economias em Desenvolvimento
Para concluir, o embaixador enfatizou que é crucial que as economias em desenvolvimento se unam em defesa do sistema baseado em regras, especialmente em resposta às coerções comerciais. Ele advertiu que a negociação dominada por poderes é uma tendência perigosa.