Atualmente, os produtores paranaenses dependem de sementes de ostras vindas de outros estados, principalmente de Santa Catarina. Com o novo projeto, serão criados laboratórios para desenvolver técnicas e sistemas eficientes de produção local dessas sementes. Isso não só facilitará o acesso, como também aumentará a produção e a renda das comunidades litorâneas.
“É um trabalho lindo e importante que conhecemos hoje”, destacou o secretário Natalino Avance de Souza. “O projeto redireciona os esforços para aumentar a renda do produtor e principalmente a qualidade de vida, trazendo também uma opção de turismo para quem quer conhecer esta iguaria.”
O projeto prevê uma série de ações, incluindo capacitação, apoio no licenciamento ambiental, oficinas para confecção de equipamentos de cultivo e instalação de unidades de pesquisa e extensão. Os municípios beneficiados serão Antonina, Guaraqueçaba, Guaratuba, Matinhos, Paranaguá e Pontal do Paraná.
Pesquisa e inovação
Com os novos laboratórios, será possível realizar pesquisas para o melhoramento genético da ostra nativa e desenvolver um aplicativo para controle do manejo e crescimento das sementes distribuídas. “Estamos empolgados com esse futuro que vem para a maricultura. Temos muita pesquisa e muita produção pela frente”, afirmou o professor Francisco José Lagreze Squella, da UFPR.
A universidade terá papel fundamental no projeto, atuando nas áreas de pesquisa, extensão, manutenção do laboratório de sementes e divulgação dos trabalhos.
Para o secretário Aldo Nelson Bona, a iniciativa tem potencial de promover a maricultura como atividade sustentável e geradora de renda. “Vamos apoiar esse projeto inovador que visa fortalecer economicamente os pescadores artesanais e produtores de ostras”, disse.
Integração e assistência
O projeto conta com o apoio de diversas instituições, como o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). Richard Golba, presidente do IDR-Paraná, ressaltou a importância dessa integração: “É incrível vivenciar essa união entre a Adapar, que faz vigilância sanitária, o IDR-Paraná, que faz extensão rural, a UFPR, que faz pesquisa, e duas secretarias fundamentais apoiando esses produtores”.
Durante a visita, a comitiva conheceu o Sítio Sambaqui, em Guaratuba, um estabelecimento que produz, comercializa e serve suas próprias ostras, exemplificando o potencial da atividade na região.
Produção atual e perspectivas
Em 2023, o Paraná registrou um Valor Bruto de Produção Agropecuária (VBP) de R$ 3,2 milhões na produção de ostras, com 193 mil dúzias produzidas. Guaraqueçaba se destacou com um VBP de R$ 1,6 milhão e 95 mil dúzias, seguida por Guaratuba, com R$ 1 milhão e 60 mil dúzias.
Com essa nova parceria, espera-se que esses números cresçam significativamente nos próximos anos, consolidando o Paraná como um importante produtor de ostras no cenário nacional.