Homens e a Saúde: Estudos Revelam Desigualdades
Uma pesquisa global realizada pela Universidade do Sul da Dinamarca, publicada na revista PLOS Medicine, revela que homens adoecem mais e têm uma expectativa de vida menor em quase todos os países do mundo. A revisão abrangeu mais de 200 países, focando em condições como hipertensão, diabetes e HIV/Aids.
Os resultados sugerem que os homens apresentam taxas acentuadas destas doenças e, infelizmente, enfrentam uma maior mortalidade em decorrência delas. Um dos fatores que contribui para este cenário é a baixa procura ao sistema de saúde, tanto em relação ao diagnóstico quanto ao tratamento, o que está intimamente ligado a questões sociais e culturais.
De acordo com o estudo, normas de gênero e comportamentos de risco afastam os homens do cuidado preventivo. Isso se reflete em hábitos como o tabagismo mais frequente, a minimização de sintomas e a resistência a exames preventivos. O médico Wilands Patrício Procópio Gomes aponta que o estereótipo masculino de “não demonstrar fraqueza” influencia negativamente nas busca de cuidados de saúde.
No Brasil, a situação é alarmante: a expectativa de vida para os homens é de 73,1 anos, em comparação com 79,7 anos para as mulheres, segundo dados do IBGE. Além disso, em 2019, apenas 69,4% dos homens haviam consultado um médico no ano anterior, em contraste com 82,3% das mulheres, indicando uma resistência cultural evidenciada em estatísticas.
Atenção Primária e Saúde do Homem
A mudança nesse quadro requer uma reavaliação da atenção primária à saúde, visando ao acolhimento dos homens. O médico enfatiza a importância de estratégias que promovam o acesso e a educação em saúde, como exames preventivos que podem reduzir a incidência de condições crônicas.
Em relação ao HIV/Aids, a distribuição de casos no Brasil aponta que 70,7% ocorrem entre homens, o que evidencia a necessidade crítica de abordagem. A hipertensão e o diabetes são outros pontos de preocupação, com maiores taxas de complicações fatais entre os homens.
Políticas Públicas e Iniciativas de Saúde
A resistência ao sistema de saúde é notável, especialmente entre homens de 20 a 59 anos. Nesse contexto, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) foi estabelecida em 2008, promovendo estratégias que adequam os serviços de saúde às necessidades masculinas.
Gomes destaca ações como a ampliação do horário de atendimento em unidades de saúde e eventos comunitários para informar sobre saúde. O Novembro Azul, campanha que visa aumentar a conscientização sobre a saúde masculina e exames preventivos, também é uma estratégia implementada.
Entretanto, para que mudanças efetivas ocorram, é essencial que o sistema de saúde aborde diretamente as questões sociais e culturais que impedem o acesso à saúde. Profissionais de saúde precisam estar capacitados para tratar efetivamente as necessidades dos homens, com políticas que garantam um atendimento de qualidade.
Reflexão e Futuro
A transformação significativa da saúde dos homens exige um esforço conjunto entre políticas públicas, mudanças na percepção cultural e fortalecimento da relação entre médicos e pacientes. A eficaz implementação dessas estratégias ainda precisa ser ampliada para garantir que os homens não apenas tenham acesso, mas também busquem proativamente cuidados de saúde.