Diagnóstico de Autismo em Meninas e Mulheres
Uma nova pesquisa revela que 70% dos estudos sobre autismo focaram apenas em homens, demonstrando um viés que prejudica o reconhecimento do transtorno em mulheres. O estudo da especialista Gina Rippon, que é neurocientista cognitiva, destaca que a percepção de que o autismo é um neurotipo masculino resultou em um subdiagnóstico significativo de meninas e mulheres autistas.
Historicamente, meninos são 10 vezes mais propensos a serem diagnosticados com autismo do que meninas. Uma revisão de 2020 já havia indicado que até 80% das meninas são diagnosticadas primeiro com transtornos como ansiedade social ou transtornos alimentares, antes de receberem um diagnóstico autista correto.
A Indústria do Diagnóstico e o Vício nos Dados
Gina Rippon esclarece que muitos diagnósticos foram baseados em comportamentos tipicamente associados a meninos, tornando quase impossível para meninas receberem o diagnóstico. Em uma análise de 120 estudos, ela constatou que menos de 10% dos participantes eram mulheres, o que aponta para um viés histórico importante.
Dificuldades na Identificação do Autismo
O viés de confirmação também contribui para a dificuldade no diagnóstico. Professores tendem a reconhecer mais rapidamente o autismo em meninos do que em meninas. Ao serem apresentadas situações hipotéticas onde o nome da criança varia, as respostas diferem drasticamente com relação ao gênero.
Muitas meninas tendem a internalizar suas dificuldades, o que diminui a percepção sobre seus problemas. Rippon se refere a essas meninas como “camaleões”, que tentam camuflar suas dificuldades sociais.
Impacto do Diagnóstico nas Mulheres
Para muitas mulheres, o diagnóstico de autismo trouxe um alívio, permitindo que entendessem melhor suas experiências de vida. Entretanto, algumas expressaram arrependimento por não terem recebido o diagnóstico mais cedo.
Alterações nos Critérios de Diagnóstico
Uma mudança crucial no diagnóstico de autismo foi a inclusão da hipersensibilidade sensorial nas pautas diagnósticas. Essa mudança, segundo Rippon, ajudará a identificar meninas autistas mais jovens que apresentam sintomas não reconhecidos anteriormente.
O Futuro da Pesquisa e Diagnóstico
A especialista enfatiza a necessidade de incluir a voz de pessoas autistas na pesquisa, promovendo um futuro de inclusão no diagnóstico. Uma mudança cultural na forma como a medicina aborda o autismo está ocorrendo, permitindo que meninas autistas sejam reconhecidas e diagnosticadas de forma mais justa.
Ao final, Rippon afirma: “Chegaram as meninas”, referindo-se ao reconhecimento crescente de que o autismo não é apenas um problema masculino.