Desenvolvimentos em Terapias Gênicas
Pessoas que desejam perder peso podem em breve receber terapia através de uma única injeção que transforma suas células em fábricas de uma proteína semelhante ao ingrediente ativo dos medicamentos Ozempic.
As startups RenBio e Fractyl Health estão liderando a pesquisa nesse tipo de terapia. Ambos passaram por testes iniciais em camundongos e já estão avaliando a eficácia em animais maiores. A expectativa é que essas terapias possam eventualmente ser usadas em humanos.
Medicamentos como os GLP-1 têm mostrado eficiência na perda de peso, com a utilização de injeções e comprimidos que ajudam a controlar o apetite e os níveis de açúcar no sangue. O uso desses medicamentos entre adultos nos EUA quase dobrou nos últimos anos, passando de 5,8% para 12% em uso, de acordo com um relatório da Gallup.
Entretanto, o custo elevado e os efeitos colaterais, como náuseas e fadiga, são alguns dos impedimentos ao tratamento contínuo para muitos usuários, levando à interrupção do uso dos medicamentos. A busca por alternativas que proporcionem os mesmos benefícios, mas com menos desvantagens, é o foco da RenBio e Fractyl.
RenBio e sua Proposta Inovadora
A RenBio desenvolveu uma tecnologia chamada “Faça Você Mesmo”, utilizando plasmídeos que contêm instruções genéticas para a produção de GLP-1. Ao injetar soluções salinas contendo plasmídeos no tecido muscular, a equipe utiliza pulsos elétricos para facilitar a entrada do DNA nas células.
Este método transforma as células musculares em produtoras do hormônio GLP-1 que controla a saciedade e os níveis de açúcar. Os testes mostraram resultados promissores nos camundongos, com perda de peso significativa mantida por um ano e regulação nos níveis de glicose.
Além disso, o DNA utilizado não interage com o DNA celular normal, minimizando riscos genéticos, e se espera que os tratamentos precisem ser realizados a cada ano ou dois.
Fractyl Health e a Terapia Gênica Tradicional
A Fractyl Health está adotando uma abordagem diferente ao usar um vírus adeno-associado para inserir genes responsáveis pela produção de GLP-1 diretamente nas células do pâncreas. Este método evita possíveis reações adversas e tem como alvo específico as células produtoras de insulina.
Os testes preliminares em camundongos e porcos mostraram resultados positivos, mas a transição para testes em humanos ainda requer mais dados. A segurança é uma preocupação devido ao potencial de reações imunes e à natureza permanente das alterações genéticas.
Ambas as empresas estão buscando autorização para conduzir ensaios clínicos em humanos nos próximos anos, esperando revolucionar o tratamento da obesidade e melhorar a capacidade do organismo em produzir GLP-1 naturalmente.
O Futuro nas Terapias para Obesidade
Esta linha de pesquisa pode oferecer soluções inovadoras e efetivas para o crescente problema da obesidade, especialmente em uma era em que a dieta contemporânea pode levar a um consumo excessivo.
Apesar do progresso, muito trabalho ainda precisa ser feito antes que essas terapias possam ser disponibilizadas ao público em geral.