Registro Cerebral e Ação do Mounjaro
A Universidade da Pensilvânia registrou, pela primeira vez, a ação da tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, no núcleo accumbens, uma área do cérebro relacionada à recompensa. Este registro, realizado durante uma terapia experimental para obesidade, evidenciou como o medicamento atua sobre neurônios reais em tempo real, utilizando a técnica de estimulação cerebral profunda (ECP).
A ECP, técnica cirúrgica, envolve a inserção de eletrodos no núcleo accumbens, que expressa o receptor GLP-1, o hormônio imitado pelos medicamentos modernos para perda de peso. Os pesquisadores aplicaram o Mounjaro em pacientes que enfrentavam compulsão alimentar, mesmo após tentativas com dietas e outros tratamentos.
Sinais de Alerta do Cérebro
Após a cirurgia, a paciente em tratamento com Mounjaro apresentou perda de peso e uma drástica diminuição nas crises relacionadas à comida. O silêncio elétrico registrado no núcleo accumbens, indicado por ondas delta-theta, precedeu as crises de compulsão. Esse padrão de atividade cerebral, que retorna após meses, sugere um mecanismo interno de alerta do cérebro antes do surgimento das crises compulsivas, permitindo prever a recaída antes que os sintomas apareçam.
Implicações Futuras nas Terapias
O estudo demonstra a capacidade do Mounjaro em influenciar circuitos de recompensa no cérebro, reduzindo a impulsividade alimentar. Isso expande a noção de que o medicamento não apenas atua sobre o apetite, mas também sobre a motivação e prazer por meio do circuito neural. Programas futuros podem utilizar biomarcadores neurais para guiar tratamentos personalizados, ajustando intervenções antes das recaídas e prevenindo sintomas por meio de terapia comportamental ou outras estratégias.
A neurocientista Amber Alhadeff destaca a necessidade de validação em um público maior devido ao enfoque reduzido do estudo atual. As descobertas, entretanto, prometem avanços importantes na abordagem ao tratamento da compulsão alimentar.