Biópsia Líquida: Detecção de Mutações no Câncer de Pulmão
A biópsia líquida emergiu como uma ferramenta inovadora para a detecção precoce de alterações genéticas em pacientes diagnosticados com câncer de pulmão. Um estudo significativo, apoiado pela Fapesp e publicado na revista Molecular Oncology, demonstrou a possibilidade de identificar mutações relevantes em amostras de sangue de pacientes com câncer de pulmão não pequenas células (NSCLC) utilizando um painel multigênico especial.
Resultados do Estudo
Conduzido no Hospital de Amor, uma referência nacional em oncologia, o estudo investigou a presença de DNA tumoral circulante (ctDNA) em grupos variados de pacientes, incluindo aqueles assintomáticos. O câncer de pulmão não pequenas células representa 85% dos casos diagnosticados, sendo o adenocarcinoma o subtipo mais comum. Com relação aos resultados, 65,6% das amostras analisadas apresentaram mutações, taxa que subiu para 87,5% entre pacientes com tratamento anterior.
As mutações mais frequentes identificadas foram nos genes TP53 (40,6%), KRAS (28,1%) e EGFR (12,5%) destacando a importância do avanço genômico no direcionamento das terapias.
Tempo de Resposta Rápido
Um dos benefícios diretos da biópsia líquida é a velocidade da análise. Enquanto o método tradicional pode levar semanas, os resultados obtidos através da biópsia líquida podem ser liberados em até dois dias após a coleta. O estudo também revelou que é possível detectar ctDNA em amostras que foram congeladas sem necessidade de transporte imediato para laboratórios especializados, um fator vantajoso para um sistema de saúde pública com recursos limitados.
Desafios Econômicos
Apesar dos resultados animadores, a implementação da biópsia líquida no sistema público de saúde no Brasil ainda enfrenta desafios econômicos, pois o teste deve custar cerca de R$ 6 mil por paciente. Com a possibilidade de redução de custos à medida que a tecnologia avança e a concorrência aumenta, o acesso a esses testes deve se tornar mais viável.
A médica Letícia Ferro Leal, uma das pesquisadoras, enfatiza que mesmo com a alta sensibilidade do painel utilizado, um resultado negativo não elimina a possibilidade de mutações, exigindo, assim, a confirmação por métodos convencionais de biópsia.
Conclusão do Estudo
O estudo sugere que a biópsia líquida pode acelerar diagnósticos e permitir tratamentos mais direcionados em pacientes com câncer de pulmão. A expectativa é que, com a redução de custos e ampliação da disponibilidade dos testes, o acesso a tratamentos personalizados se torne uma realidade na medicina brasileira.