Comparação Entre Estratégias de Rastreamento do Câncer Colorretal
Um estudo realizado em 15 hospitais de oito regiões da Espanha, denominado COLONPREV, avaliou a eficácia de duas estratégias de rastreamento para câncer colorretal. A pesquisa não visava demonstrar que uma técnica é superior à outra, mas sim verificar se o teste imunológico fecal (FIT) para detectar sangue oculto nas fezes é tão eficaz quanto a colonoscopia, que é o método tradicional considerado padrão-ouro.
A pesquisa, com uma duração de 10 anos, envolveu 57.404 indivíduos e revelou que os métodos têm uma diferença mínima no risco de mortalidade de apenas 0,02% ao longo de 10 anos, tornando o FIT uma alternativa viável ao procedimento mais invasivo.
Diferenças Entre os Métodos
Os resultados do estudo mostraram que 39,9% dos participantes enviaram kits FIT pelo correio, enquanto 31,8% compareceram para as colonoscopias. Os custos também diferem substancialmente: o FIT custa cerca de US$ 24, enquanto as colonoscopias podem chegar a US$ 635. FIT é um método mais prático e não invasivo, enquanto a colonoscopia exige preparação rigorosa e pode necessitar de anestesia. A colonoscopia, no entanto, é mais eficiente em diagnósticos e permite a remoção de pólipos durante o exame.
Visão Médica Sobre os Resultados
No Brasil, as implicações do estudo podem impactar diretrizes de rastreamento. Para Alexandre Carlos, coordenador em um hospital de São Paulo, o teste de sangue oculto é uma alternativa viável para pessoas assintomáticas de risco médio, principalmente em contextos onde os recursos são limitados. O teste é não invasivo, econômico e pode aumentar a cobertura populacional rapidamente. No entanto, a colonoscopia ainda é recomendada para aqueles com histórico familiar de câncer colorretal ou outras condições específicas.