Ultrapassagem na Alimentação Brasileira
A participação de ultraprocessados na alimentação brasileira aumentou significativamente, passando de 10% para 23% desde os anos 80. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) publicaram uma série de artigos na revista Lancet, alertando sobre esse crescimento não apenas no Brasil, mas em 93 países, onde o consumo de ultraprocessados aumentou, exceto no Reino Unido.
Crescimento do Consumo Global
O fenômeno global mostra que, em países como os Estados Unidos, o consumo de ultraprocessados já supera 60%. O relatório revela que na Espanha e na Coreia do Norte, esse consumo triplicou, enquanto na Argentina aumentou de 19% para 29%. Os pesquisadores indicam que essa tendência é observada em todas as faixas de renda.
Implicações para a Saúde
O crescente consumo está associado a dietas de baixa qualidade nutricional, exposições a substâncias nocivas e aumento do risco de doenças crônicas como diabetes tipo 2 e câncer. Uma revisão de 104 estudos apontou que 92 deles relataram risco elevado de doenças crônicas relacionadas à alimentação. O consumo de ultraprocessados é um fator central no aumento global dessas doenças.
Definição de Ultraprocessados
Ultraprocessados são classificados pela norma NOVA como produtos comerciais que resultam da mistura de alimentos in natura com aditivos químicos. Exemplos incluem biscoitos recheados e refrigerantes. O conceito visa esclarecer como os processos industriais afetam a qualidade da dieta.
Recomendações para Diminuição do Consumo
Os cientistas sugerem que as grandes empresas sejam responsabilizadas e que aditivos nocivos sejam claramente sinalizados nas embalagens. Além disso, propõem a proibição de ultraprocessados em instituições públicas, como escolas e hospitais, citando o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) como um exemplo positivo que prioriza alimentos frescos.
Regulamentação e Acesso a Alimentos Saúdaveis
Outra medida proposta é a restrição da publicidade desses produtos, especialmente voltada ao público infantil. Além disso, a sugestão de sobretaxação de ultraprocessados para financiar alimentos frescos para famílias de baixa renda é apresentada como uma forma de abordar o fenômeno.
Os pesquisadores ressaltam que a culpa pelo aumento do consumo não recai sobre as escolhas individuais, mas sim sobre as corporações globais que, através de marketing e design atraente, moldam as dietas em escala global, com vendas anuais de ultraprocessados atingindo US$ 1,9 trilhão.