Iniciativa em Prol da Inclusão de Autistas
A Assembleia Legislativa do Paraná foi palco de um importante evento sobre a inserção de pessoas com autismo no mercado de trabalho, realizado pela Escola do Legislativo em 25 de agosto. A palestra intitulada “Diversidade e Inovação: Transtorno do espectro do autismo no mercado de trabalho” teve como foco discutir estratégias para ampliar a inclusão de autistas no ambiente profissional e melhorar as políticas públicas relacionadas.
Palestrantes Exemplares
Amélia Dalanora, uma renomada psiquiatra e proprietária da empresa de educação em neurodiversidade beeMyra, foi uma das palestrantes, junto com Lucas Geus, um autista que atua como analista de logística. Dalanora apresentou dados relevantes que evidenciam a necessidade de inclusão dos autistas adultos no mercado de trabalho e discutiu propostas de políticas que facilitem esse processo.
Avanços Normativos
Um ponto destacado por Dalanora foi a recente atualização da NR-01, que estabelece o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) para trabalhadores. A nova versão, prevista para maio de 2025, considera os aspectos psicossociais, representando um grande passo para a inclusão de autistas. “É uma normativa que gerencia os riscos ambientais ocupacionais dos trabalhadores e que agora leva em consideração os aspectos psicossociais das pessoas”, destacou.
Dados Alarmantes
Embora existam poucas pesquisas nacionais sobre o emprego de autistas, Dalanora partilhou dados internacionais alarmantes. O índice de desemprego entre autistas adultos varia entre 30% e 40%, em comparação com aproximadamente 9% na população geral. Dalanora também enfatizou que a falta de conhecimento das empresas sobre o tema é um dos principais obstáculos. “Por exemplo, um autista pode se sentir mais à vontade em trabalhar em uma bola de pilates do que em uma cadeira convencional”, disse.
Histórias de Sucesso
Lucas Geus, com sua experiência pessoal, reforçou que adaptações simples podem transformar a experiência do trabalhador autista. Ele afirmou: “Não precisa ser disruptivo e não chega a ser um tratamento especial. É uma adaptação do ambiente”.
A Relevância da Discussão
A deputada Flavia Francischini, 1ª vice-presidente da Assembleia, também participou da discussão, reconhecendo a importância da inclusão. “Eu, que sou mãe de autista, sei da importância do tema, que deve ser reconhecido dentro do trabalho…”, afirmou a deputada, destacando que as adaptações sensoriais são essenciais para o bem-estar do trabalhador.
Compromisso com a Inclusão
Jeulliano Pedroso, diretor da Escola do Legislativo, reiterou o comprometimento da instituição em discutir políticas públicas relevantes. “É fundamental que a inclusão no mercado de trabalho das pessoas com transtorno de espectro autista seja amplamente debatida e que nossa Casa de Leis trabalhe em prol disso”, enfatizou Pedroso.